Conferência

12 congresso internacional D’autisme-Europe

A Conferência foi realizada no dia 2 de Abril, eleito pela Organização das Nações Unidascomo dia Mundial da Consciencialização do Autismo.O evento teve lugar no Hotel HCTA – sala 3 das 8h30 às 16h. O mesmo foi organizado pelaEkanda, com o objetivo de informar e consciencializar profissionais das áreas da saúde,educação , familiares e a sociedade em geral sobre a perturbação do Espectro do Autismo,que é um assunto complexo e que apesar de já existirem vários estudos sobre essa condiçãoainda existe muita desinformação , gerando muitos estigmas e preconceitos envolvendo osindivíduos com autismo que atrapalham a inclusão destes no seio familiar e na sociedade.Como participantes da Conferência tivemos 57 profissionais da área da educação, 59profissionais da área da saúde e 87 familiares.

No período da manhã, os trabalhos começaram com a receção dos convidados, seguida pela apresentação da Ekanda pelo Cerimonialista Nelson Lima.

Logo apos, o chefe das Politicas Sociais da Unicef, Glayson Ferrari, em seu discurso, disse que tem que existir união para se conseguir um mundo melhor.
Por essa razão, explicou, que a primeira tarefa é limpar o estigma e o preconceito que existe sobre o autismo, depois criar políticas de orçamento.” Nós também advogamos para que o orçamento publico possa visibilizar a questão das pessoas com deficiência e de forma especial as crianças com autismo” disse.
Na sequência, a representante da Ekanda Inês Fortunato, explica que pouco se sabe sobre a prevalência do Autismo em Africa e em Angola.
Neste sentido a Ekanda assume o desafio de informar os pais, as escolas, as comunidades sobre o autismo e pretende, em parceria com o Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Ministério da Ação Social, fazer estudos de Investigação sobre a prevalência das características e das especificidades culturais do Autismo em Angola.

O discurso de abertura foi proferido pelo governador de Luanda, Luther Rescova, realçando

que a parceria entre a sociedade e o Estado no autismo deve ser permanente, porque o mito resulta da desinformação e em alguns casos da má gestão da informação existente.
Poe esta razão, o sector da Educação deve ter currículos escolares específicos e capacitar os profissionais que lidam diretamente com crianças autistas, no âmbito de uma aposta permanente.

“O estigma é outro tipo de forma de preconceitos que surgem e devem ser assumidos na sociedade para podermos enfrentá-los e trabalhar para sua solução.
“Quanto mais pessoas abraçarem esse desafio, certamente as crianças autistas terão uma melhor atenção e aceitação da sociedade. E um dos principais desafios que temos é, certamente, o respeito pelas diferenças porque é um problema da sociedade em geral”, disse.

Em seguida, a conferencista Luísa Teles Pediatra do Neurodesenvolvimento do Hospital da Luz de Lisboa, falou sobre a história do autismo, dos mitos, das verdades, dos critérios de diagnóstico, do objetivo das intervenções e dos desafios (slides no site www.ekandautista.com).

A segunda conferencista foi, Sara Loff, terapeuta da fala do Centro de Neurodesenvolvimento do Hospital da Luz de Lisboa que falou sobre as funções da linguagem, o desenvolvimento das áreas e componentes da linguagem, as perturbações da linguagem, avaliação da comunicação da linguagem e da intervenção na Perturbação do Espectro do Autismo (Slides no site www.ekandautista.com).

Por último Mariana Lucas, Psicóloga e Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação do Centro de Neurodesenvolvimento do Hospital da Luz, falou sobre os Comportamentos Restritos e Repetitivos, da Modelação e Processamento Sensorial, do Perfil Sensorial, assim como sugestões, estratégias de intervenção e dos desafios na escolarização (Slides no site www.ekandautista.com).
O período da tarde foi reservado para perguntas, partilhas, testemunhos e conversa com os pais.

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CONCLUSÕES

● O Autismo não é uma doença e sim uma condição.
● As causas são devido a fatores genéticos, epigenéticos e ambientais. Não há causa única.
● A prevalência é de 0.7 a 2.64% (1 em cada 68 crianças), 4 rapazes: 1 rapariga.
● Tem evolução dinâmica ao longo da vida.
● É uma condição complexa e heterogénea nas suas manifestações.
● Para o diagnóstico segue-se os critérios da DSM V.
● O Autismo não tem cura.
● O Autismo não se preveni, porém a intervenção precoce faz toda a diferença.
● A avaliação e a intervenção são multidisciplinares.
● É importante que os sinais de alarme sejam detetados precocemente.

RECOMENDAÇÕES

● Incentivar estudos de como se expressa o Autismo em Angola (pelas características dos países em desenvolvimento espera-se uma maior expressão de deficiência intelectual devido as deficiências nutricionais e as doenças infeciosas que lesam o sistema nervoso central por essa razão o autismo pode aparecer nas suas formas mais graves)
● Incentivar a aferição de testes para nossa realidade.
● Treinar os pais para que façam parte da intervenção como co-terapeutas.
● Incentivar projetos que partam dos centros para as comunidades., onde a comunidade além de ser informada sobre o autismo para poder desmistificar, aprenda também a como intervir com a criança autista.
● Pais, educadores de infância e médicos devem estar atentos aos sinais de alarme:
⮚ 6 meses – o bebe não reage à estimulação sonora, não sorri e não estabelece contato ocular.
⮚ 9 meses – o bebe deixa de produzir sons, não reagir ao seu nome, não olha quando brincam com ele.
⮚ 18 meses – a criança não aponta e não produz palavras.
⮚ 24 meses – a criança não compreende instruções simples, não combina palavras.
⮚ 3-4 anos – a criança apresenta discurso ininteligível.

● Investir na Formação dos professores (existe uma lacuna, os professores não conseguem identificar o porque que as crianças não aprendem).
● Investimento em material escolar e no ensino pré-escolar.
● Orientar os pais da importância da relação estreita entre a escola, família e terapeutas.
● Orientar os pais quanto aos direitos. A criança Autista tem direito à escola e quando o acesso lhe for negado os pais devem expor a situação ao Ministério da Educação. Em casos de maus tratos as autoridades policiais devem ser informadas.

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Marcia NascimentoConferência